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A não vontade de ter filhos e o não ao aborto.

dezembro 30, 2015

 

“Eu fui promovida, demorei tanto tempo pra chegar até essa poltrona vermelha no terceiro andar. Eu também acabei de mobiliar o meu primeiro apartamento, devo chegar por lá na semana que vem. Minhas férias estão programadas para daqui a uns 3 meses, pretendo conhecer a Grécia, aquelas praias… ah, aquelas praias me encantam! Tudo caminha quase que perfeito, se não fosse pela insistente cobrança da família sobre quando eu devo ter filhos. Eu acabo de completar 35 anos e até agora essa vontade, desejo, instinto materno ainda não aflorou e, confesso, não sei se um dia ela chegará por aqui. Não que eu não goste de crianças, pelo contrário, acho lindas, fofas, inteligentes, mas não me vejo abrindo mão do meu cochilo à tarde nos fins de semana, do drink com os amigos na madrugada da sexta, do sábado e, se me der vontade, do domingo. Ah, e a tão sonhadas férias? Talvez, com um bebê, eu nem tivesse tempo nem dinheiro.

Por enquanto, vou vivendo “intensamente” como diz meus sobrinhos. Vivendo, e me prevenindo de qualquer imprevisto.

Noite dessas sonhei grávida, de uns três meses, e tendo que cancelar a viagem, mudar toda a mobília do apartamento e substituindo o escritório pelo quarto do bebê. Também me vi começando a não caber em metade das minhas roupas e a não tomar aquela nevada sagrada de sexta. Mas, em momento algum, me vi “desistindo” da gravidez. Era confuso, contraditório. Se eu queria ser mãe? não, nunca havia chegado tão perto dessa vontade. Mas e agora? Agora recebo como um presente, uma dádiva, um milagre… ou uma chance? uma chance de ser alguém melhor, ou alguém diferente. Alguém que ganhou uma passagem para uma vida nova, encantadoramente assustadora. Alguém que vai ter que abrir mão de mil coisas, em troca de outras mil que talvez dinheiro algum compre. Eu comecei a aceitar, me conformar, a amar aquele estado grávida de ser. A amar sem nem conhecer.

Então acordei.

Sem barriga, sem teste positivo, sem gravidez. Ufa! dá pra viver essa atual vida sem regras mais um pouquinho.

Mas também, pela primeira vez, pensei em como seria se tudo mudasse.

Ah, se tudo mudasse, eu mudaria também!

Eu senti, por um momento, que estar gravida não é apenas estar grávida, é ter alguém aqui comigo o tempo todo, e em momento algum me vi no direito de dizer não, pelo contrário. Me vi com a vida apertando play para uma nova vida.

Então pensei que não tem hora certa, mesmo sem me sentir preparada agora, mas quando a hora certa chegar  até na hora errada, será a hora da maior mudança na minha vida.

não vou tentar, mas quando, por acaso, acontecer e chegar, ah, quando chegar…

Tudo que eu sei é que, dia após dia, aprenderei a amar.”

 

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