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E quando ela andar?

junho 1, 2015

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Depois de carregá-la 39 semanas dentro de mim, depois de poder colocá-la nos braços e oferecer o meu leite a hora que ela sentisse vontade, colocá-la para tirar os cochilos da tarde nos braços e poder passar horas conversando na língua do agú-aga-aia, chegou a hora de cair na real de que a vida não para, que é preciso ganhar dinheiro para oferecer, além do amor, muito para ela.

Me senti culpada todas as vezes que pensei o quanto queria voltar ao trabalho, colocar a cabeça pra funcionar, pensar.

Me senti devastada, acabada e coberta por uma tristeza e culpa terrível por não estar ao lado dela quando ela precisar de um colinho, ou quiser ficar pendurada e mamando por uma hora.

E aí eu me questiono sobre a tal maternidade, sobre colocar um filho no mundo, trabalhar pra pagar hotelzinho, colégio, alguém que a cuide e ensine. Uma coisa sobre a maternidade é certa: O eterno sentimento de amor, culpa, paixão, medo e insegurança que persegue o ser chamado mãe.

Por enquanto ta maravilhoso, um sonho! Ta com a avó, a tia, coberta de amor e cuidado.

E quando for para hotelzinho?

E quando ela começar a andar? Provavelmente eu esteja na frente do computador. Antes disso? Desejando que aconteça num sábado ou domingo, que eu esteja ao lado, que eu compartilhe dessa conquista.

Não me culpo por voltar ao trabalho e gostar disso, mas todos os dias o pensamento é em aproveitar todo o tempo do mundo ao lado dela.

Já me peguei triste, vendo que fulano pode dormir sem ter hora pra acordar no fim de semana, ou poder tomar uma, ou “ir alí e voltar já”, ou poder usar uma roupa qualquer (porque eu preciso escolher a certa para conseguir amamentá-la). Eu não, eu preciso estar lá, porque ela mama e dorme na hora que quer e eu sim tenho que me adaptar, eu sim tenho que cuidar. E por mais confuso que seja, é isso que me nutri. Porque eu estou alí, eu pude dar o peito, o corpo e alma por esse serzinho capaz de mudar o mundo. Tempo? Esse eu não posso dar todo. Mas o que eu tenho livre, será sim, dela. Não que eu precise me excluir, me prender. Mas algumas coisas se tornam mesmo desnecessárias perto daquele abraço descoordenado, do sorriso meia boca e olhar fixo.

Tenho vontades, sim. Todas as mães têm, e precisam de compreensão, de ajuda, de carinho e de atenção. Porque às vezes estamos esgotadas, cansadas, e é quando não temos forças que precisamos de uma mãozinha, de uma iniciativa, do interesse de quem nos acompanha, de quem ama. Colocar o mundo de lado, junto ao computador e o celular, curtir só os braços, abraços.

Eu voltei ao trabalho, com amor, vontade e também com o coração na mão. E a parte confusamente boa? É colocar o corpo e a cabeça pra funcionar, é conversar, é pensar, é contar as horas pra chegar em casa e deixá-la dormir nos braços, trocar nosso calor, é esperar o fim de semana pra carregá-la aonde quer que eu vá.

E nessa caminhada eu sinto mais vontade de trabalhar, trabalhar melhor. Ela é meu gás pra ser uma pessoa melhor e ser exemplo.

Enquanto isso, ela cresce, aprende que a vida é feita de coisas boas e outras não tão agradáveis, porém necessárias. E também aprende sobre o amor e o que fazemos por ele. Até deixar um bebezinho de pouco mais de três meses em casa para trabalhar, conquistar o mundo e, ao chegar em casa, reconquistar todos os dias esse coraçãozinho.

E toda essa confusão de sentimentos? É por você, é pela maternidade.

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